domingo, 16 de agosto de 2009

Poesia na periferia

Para quem gosta da arte de declamar poesias, eis uma boa idéia, ainda se tratando de arte para a periferia, como podemos ver nesta reportagem do jornal O Estado de São Paulo:
Mapeados, 32 saraus de SP estarão em guia a ser lançado neste mês
Levantamento privilegiou grupos que se reúnem com periodicidade fixa - maioria fica na região central da capital
Edison Veiga

A cidade de concreto também faz poesia. Sob esse lema, a organização Poiesis - mesma instituição que administra a Casa das Rosas e o Museu da Língua Portuguesa, entre outros locais - organizou e prepara o lançamento, previsto para este mês, de um inédito folheto com os "pontos de poesia" da Grande São Paulo. O levantamento resulta de um trabalho de quatro meses do poeta Rui Mascarenhas. "Surpreendi-me muito com a diversidade temática dos saraus. Cada comunidade tende a transformar em poesia suas diferentes realidades", afirma. "O importante é que todos os grupos estimulam a produção literária."
O folheto, que será distribuído gratuitamente na Casa das Rosas e nos endereços onde ocorrem os saraus - a tiragem inicial é de 5 mil exemplares -, traz uma relação de 32 eventos com periodicidade fixa. E localiza em um mapa. É nítido, por exemplo, que a maior parte está concentrada na região central. Por outro lado, aparecem muitas iniciativas em bairros de periferia, como Cidade Tiradentes, Itaim Paulista e São Miguel Paulista, na zona leste. O mapa ainda inclui grupos das cidades vizinhas de Suzano, Guarulhos, Carapicuíba, Embu, Pedreira, Diadema e Santo André.
Em geral, os saraus são frequentados por aficionados por poesia que moram na região onde ocorrem - ou têm alguma ligação artística com os organizadores. Com o mapa publicado, espera-se que surjam, entretanto, mais figuras como o poeta Renato Palmares, de 44 anos, apelidado de "peregrino da poesia". Não é para menos: desde 2005, é assíduo frequentador de vários saraus diferentes. "Chego a participar de quatro em uma semana."
(...)
Em dezembro, nasceu o ZAP: Zona Autônoma da Palavra, evento que ocorre uma vez por mês na Pompeia. A noite começa com a projeção de filmes, seguida pelo "microfone aberto" - em que poetas podem declamar ou ler textos. Mais tarde, o ponto alto: uma batalha poética, em que os participantes são julgados por uma comissão formada na hora. Qualquer pessoa pode participar. "É só chegar e se inscrever", diz a poetisa Roberta Estrela D'Alva, uma das organizadoras. O campeão da noite leva um kit com livros, CDs e DVDs.
Mas não são só novas - e moderninhas - iniciativas que roubam a cena poética paulistana. Exemplo de tradição é a Casa do Poeta Lampião de Gás de São Paulo, que promove saraus desde 1948. Atualmente, os encontros acontecem quinzenalmente, no auditório da Associação Paulista de Imprensa, na Liberdade. (...)

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http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090803/not_imp412524,0.php

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