sexta-feira, 28 de novembro de 2008

É Bombaim ou Mumbai?

Com os recentes ataques terroristas na Índia, os jornais ora dizem “Bombaim”, ora chamam a cidade de “Mumbai”. Mas o certo seria a forma antiga que é a mais conhecida (Bombaim), ou deve ser usada a mais recente (Mumbai)?
Na
Wikipédia está escrito:

Controvérsia sobre o nome

Há entre os lusófonos quem considere a forma Bombaim como a única correta em português; quem entenda que a única versão correta é Mumbai; e quem acate as duas formas.

Argumentos em favor da forma Bombaim
Segundo os defensores deste ponto de vista, a decisão do estado de Maharashtra, em 1995, no sentido de repudiar a forma inglesa Bombay e adotar apenas a versão marata Mumbai para referir-se oficialmente à cidade não foi, propriamente, uma mudança de nome, mas sim uma rejeição da versão tradicional em inglês. A decisão, portanto, conforme esta linha de argumentação, não deveria repercutir além da língua inglesa, no contexto oficial indiano. O argumento continua: partindo-se do princípio de que, se o governo de uma cidade ou país tem o direito de alterar ou (neste caso) adaptar um nome local, é forçoso reconhecer que cada idioma também possui o direito de decidir, conforme processos naturais e próprios de cada língua, se e como absorver a mudança ou adaptação. O argumento conclui afirmando que, até ao momento, os processos naturais da
língua portuguesa apontam para uma preferência dos lusófonos pela forma Bombaim, embora alguns empreguem a forma Mumbai em português.
Outros argumentos em favor da forma Bombaim:
Etimologia: a origem da palavra Bombaim é o termo marata para Mumba-Devi, a mesma etimologia, portanto, da versão marata (oficial) para a cidade (...); Bombaim é, portanto, apenas uma adaptação à língua portuguesa de uma palavra de origem estrangeira, da mesma maneira que grafamos
Londres, em vez de London, ou Estocolmo, em vez de Stockholm, ou Tóquio, em vez de 東京 , ou Riade, em vez de الرياض .
Colonialismo
: alguns argumentam que a forma inglesa Bombay (e, por conseguinte, a portuguesa Bombaim) representa uma atitude colonialista dos anglófonos e dos lusófonos, que teriam criado os termos Bombay e Bombaim, ao arrepio das formas nativas para o local. Os defensores da forma Bombaim em português salientam (...) que as versões Bombay e Bombaim são apenas adaptações da forma original marata (Mumbai), da mesma maneira que as línguas inglesa e portuguesa adaptaram para si o topónimo italiano Firenze (Florence e Florença, respectivamente), sem que se cogitasse de colonialismo neste caso.
Fonética: ao transliterar a forma marata मुंबई para Mumbai, o governo local teria dado preferência à pronúncia inglesa, ignorando como a transliteração soaria em outras línguas. Em outras palavras, segundo este argumento, a adaptação de 1995 ter-se-ia preocupado apenas com a pronúncia em inglês. Este problema é especialmente visível para os lusófonos na recente transliteração (Kozhikode) de outra cidade indiana, Calecute.
Só lembrando que a cidade de Bombaim, importante centro financeiro asiático e capital econômica da Índia, foi portuguesa de 1534 a 1661, quando foi cedida à Inglaterra, como dote de casamento de Catarina de Bragança com Carlos II, passando a fazer parte da União Indiana após a independência do país, em 1947.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Estrangeirismos de Informática

Histórico e evolução

O inglês é a língua adotada mundialmente devido à influência que os países de fala inglesa têm sobre o mundo. Pelas ruas, é comum vermos o uso de palavras oriundas da língua inglesa, e a via de informação tecnológica pode ser considerada uma das principais usuárias dessa importação em grande escala.
Algumas circunstâncias nos têm levado a encarar com excessiva naturalidade (ou até mesmo com certa indiferença) a presença ameaçadora desses elementos em nossa cultura. Nossa extrema familiaridade com a Língua Inglesa, por exemplo, é uma dessas circunstâncias, pois depois do português ela é a língua que mais utilizamos, embora estejamos cercados por países de língua castelhana.
A verdade é que diariamente recebemos um bombardeio de palavras e expressões da Língua Inglesa por diversos meios. E, com presença tão marcante de vocábulos estrangeiros no Brasil, será que permitir uma invasão exagerada do inglês na língua portuguesa em contexto brasileiro representa um processo de evolução lingüística? Ou de desvalorização do nosso patrimônio lingüístico?
As influências lingüísticas de uma Nação sobre outra não podem ser consideradas parcialmente. É preciso levar em consideração todo um conjunto cultural agregado ao idioma que, dessa forma, pode ser visto como elemento de disseminação cultural.
(...)
O estrangeirismo, enquanto fenômeno lingüístico chama a atenção dos gramáticos, defensores da língua pura e dos lingüistas, defensores de que a língua sempre sofre alterações. Esses diferentes pontos de vista acerca desse assunto, preenchem laudas e mais laudas acerca dele, com opiniões tão diversas, às vezes até contraditórias. Existe, ainda, muita confusão e pouca informação acerca desse fenômeno.
Na língua portuguesa os estrangeirismos mais freqüentes são hoje galicismos e anglicanismos. O vocábulo estrangeiro, quando é sentido como necessário, pelo menos útil, tende a adaptar-se à fonologia e à morfologia da língua nacional, o que para a nossa língua vem a ser aportuguesamento. Em referência às construções sintáticas, a diferença entre estrangeirismo e empréstimo é imprecisa e está, apenas, em maior ou menor sensação de naturalidade.
(...)

A influência da língua inglesa, não só na língua portuguesa como também em outras línguas, acompanhou o crescimento do poder econômico dos Estados Unidos da América, notadamente após o fim da 2ª guerra mundial em 1945. O contato com a cultura norte-americana espalhou-se, a princípio, por meio do cinema e da música, vindo a estreitar-se no mundo dos negócios. Com o desenvolvimento da tecnologia, a informática é, hoje, uma das principais responsáveis pela transferência de uma grande quantidade de anglicismos ao português do Brasil.
Acredita-se que o imperialismo lingüístico do inglês não é a força atual do inglês em si, mas da expansão econômica, cultural e tecnológica dos EUA. A língua é secundária vem com o resto. Os homens preferem falar a língua que lhes permite se movimentar no planeta, portanto se os Estados Unidos é potência e dominante na área de informática é natural que as palavras referentes ao assunto sejam conservadas em sua forma original.
Uma língua como o inglês não teria o título de global sem ter realizado uma transformação lingüística, introduzindo-se em outros idiomas, através do uso de palavras emprestadas, se fazendo conhecer em todo o mundo, sendo como língua estrangeira ou como segunda língua.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Em memória do padre Vieira

A classe política brasileira muitas vezes é digna de censura mas merece, igualmente, todo o louvor quando faz algo como o ocorrido há aproximadamente dez dias, quando o Senado brasileiro fez uma sessão solene em homenagem aos quatrocentos anos de nascimento do padre António Vieira (1608-1697).
Pe. Vieira, sacerdote, diplomata e grande orador, é um dos maiores nomes da língua portuguesa, e recebe de maneira justa todo tipo de homenagens.
Defensor dos índios, negros e judeus, era grande pregador do Evangelho, e autor de diversas obras, de cunho político ou religioso, que ficaram para sempre, iluminando a mente de toda os povos, sejam eles lusófonos ou não.