segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A herança da Língua Portuguesa no Oriente


A HERANÇA DA LÍNGUA PORTUGUESA NO ORIENTE
MÁLACA, KORLAI, GOA, DAMÃO, DIU, CEILÃO, MACAU, TIMOR...
Escrito por Marco Ramerini
Tradução feita por Márcia Siqueira de Carvalho



A língua portuguesa foi, nos séculos XVI, XVII e XVII, a língua dos negócios nas costas do Oceano Índico, em função da expansão colonial e comercial portuguesa.
O português foi usado, naquela época, não somente nas cidades asiáticas conquistadas pelos portugueses, mas também por muitos governantes locais nos seus contatos com outros estrangeiros poderosos (holandeses, ingleses, dinamarqueses, etc).
No Ceilão, por exemplo, o português foi usado para todos os contatos entre os europeus e a população nativa; vários reis do Ceilão falavam fluentemente esta língua e nomes portugueses eram comuns na nobreza.
Quando os holandeses ocuparam a costa do Ceilão, principalmente sob as ordens de Van Goens, eles tomaram medidas para parar o uso da língua portuguesa. Porém, ele estava tão entranhado entre os habitantes do Ceilão que até mesmo as famílias dos burgueses holandeses começaram a usar a língua portuguesa.
Em 1704, o governador Cornelius Jan Simonsz falava que: "
se você fala português no Ceilão, você é entendido em todo lugar"
.
Também na cidade de Batávia, capital da Holanda Oriental (atual Jakarta), o português foi a língua falada nos séculos XVII e XVIII.
As missões religiosas contribuíram para esta grande expansão da língua portuguesa. Isto porque desde que as comunidades se convertiam ao catolicismo, elas adotavam o português como língua materna. Também as missões protestantes (holandeses, dinamarqueses, ingleses...) que trabalharam na Índia foram forçadas a usar o português como a língua de evangelização. A língua portuguesa também influenciou várias línguas orientais. Muitas palavras portuguesas foram incorporadas por vários idiomas orientais, como as da Índia, do suaíli, malaio, indonésio, bengali, japonês, as várias do Ceilão, o tétum de Timor, africâner da África do Sul, etc.
Além disso, onde a presença portuguesa era preponderante ou mais duradoura, cresceram as comunidades de "casados" e "mestiços" que adotaram uma variedade de língua mãe: uma espécie de crioulo português. O que restou hoje é muito pouco. Entretanto é interessante notar que, neste sentido, existem pequenas comunidades de pessoas espalhadas por toda a Ásia que continuam a usar o "creoule" português, embora não tenham mais contatos com Portugal, em alguns casos, durante séculos.
Outro aspecto interessante é que durante o período mais importante da presença portuguesa na Ásia, não havia mais do que 12.000 a 14.000 portugueses, incluindo os religiosos.


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