segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Interesse das editoras?

Comentário de um anônimo no jornal O Estado de São Paulo:
É preciso desmascarar esse acordo ortográfico como sendo de interesse unicamente das editoras, de olho no mercado, mas contrário aos milhões de jovens brasileiros que se iniciam no aprendizado da sua língua pátria. A eliminação dos acentos em "ói" "éi" visa unicamente a atender à prosódia portuguesa. No Brasil a pronúncia é aberta "assembléia", "colméia". Como ensinar ao menino e à menina lá no interior do Mato Grosso, com seu livrinho na mão, a pronúncia de "colmeia" (como agora será escrito)? Mando comprar computador e encomendar dicionário com CD? Com a grafia anterior ela não precisava nada disso. O Mesmo pergunto quando essa criança vir "exiguidade". Antes, o trema resolvia a dúvida, agora, terá que checar em dicionário. Esse acordo prejudica a educação no Brasil, já tão mal das pernas. É preciso acabar com essa balela de "unificação". Mentira! Antes, desunifica. Agora os portugueses poderão escrever "conceção" e "receção". Não entendeu? São as conhecidíssimas "concepção" e "recepção". Unificou? Mentira!
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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A herança da Língua Portuguesa no Oriente


A HERANÇA DA LÍNGUA PORTUGUESA NO ORIENTE
MÁLACA, KORLAI, GOA, DAMÃO, DIU, CEILÃO, MACAU, TIMOR...
Escrito por Marco Ramerini
Tradução feita por Márcia Siqueira de Carvalho



A língua portuguesa foi, nos séculos XVI, XVII e XVII, a língua dos negócios nas costas do Oceano Índico, em função da expansão colonial e comercial portuguesa.
O português foi usado, naquela época, não somente nas cidades asiáticas conquistadas pelos portugueses, mas também por muitos governantes locais nos seus contatos com outros estrangeiros poderosos (holandeses, ingleses, dinamarqueses, etc).
No Ceilão, por exemplo, o português foi usado para todos os contatos entre os europeus e a população nativa; vários reis do Ceilão falavam fluentemente esta língua e nomes portugueses eram comuns na nobreza.
Quando os holandeses ocuparam a costa do Ceilão, principalmente sob as ordens de Van Goens, eles tomaram medidas para parar o uso da língua portuguesa. Porém, ele estava tão entranhado entre os habitantes do Ceilão que até mesmo as famílias dos burgueses holandeses começaram a usar a língua portuguesa.
Em 1704, o governador Cornelius Jan Simonsz falava que: "
se você fala português no Ceilão, você é entendido em todo lugar"
.
Também na cidade de Batávia, capital da Holanda Oriental (atual Jakarta), o português foi a língua falada nos séculos XVII e XVIII.
As missões religiosas contribuíram para esta grande expansão da língua portuguesa. Isto porque desde que as comunidades se convertiam ao catolicismo, elas adotavam o português como língua materna. Também as missões protestantes (holandeses, dinamarqueses, ingleses...) que trabalharam na Índia foram forçadas a usar o português como a língua de evangelização. A língua portuguesa também influenciou várias línguas orientais. Muitas palavras portuguesas foram incorporadas por vários idiomas orientais, como as da Índia, do suaíli, malaio, indonésio, bengali, japonês, as várias do Ceilão, o tétum de Timor, africâner da África do Sul, etc.
Além disso, onde a presença portuguesa era preponderante ou mais duradoura, cresceram as comunidades de "casados" e "mestiços" que adotaram uma variedade de língua mãe: uma espécie de crioulo português. O que restou hoje é muito pouco. Entretanto é interessante notar que, neste sentido, existem pequenas comunidades de pessoas espalhadas por toda a Ásia que continuam a usar o "creoule" português, embora não tenham mais contatos com Portugal, em alguns casos, durante séculos.
Outro aspecto interessante é que durante o período mais importante da presença portuguesa na Ásia, não havia mais do que 12.000 a 14.000 portugueses, incluindo os religiosos.


Texto completo disponível em:

domingo, 14 de setembro de 2008

Igreja velha de São Miguel Paulista, São Paulo

No tempo em que colonização e evangelização andavam juntas, civilizar e converter o gentio também foram missões dos colonizadores portugueses, seja na América, África ou Ásia. Um exemplo disso é a capela de São Miguel, construída pelos índios, sob orientação do bandeirante Fernão Munhoz e do jesuíta João Álvares, na então aldeia de Ururaí, em 1622, na atual zona leste da cidade de São Paulo, sendo a mais antiga construção religiosa ainda existente no município. Fica numa região próxima ao rio Tietê, tão usado nas viagens dos bandeirantes para o interior do Brasil, expandindo as fronteiras para além do Tratado de Tordesilhas.

Imagine-se o diálogo entre eles, talvez na chamada “língua geral”, onde se misturavam palavras tupis e portuguesas...

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Fontes pesquisadas na internet:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_de_S%C3%A3o_Miguel_(S%C3%A3o_Miguel_Paulista)
http://www.catedralsaomiguel.org.br/capela.php
http://www.institutovotorantim.org.br/Noticias/ListaNoticias/Paginas/080618_RestauracaoCapelaSMiguel.aspx
http://www.panoramio.com/photos/original/652666.jpg

sábado, 13 de setembro de 2008

Bilac já dizia...

Já dizia Olavo Bilac (1865-1918):

“A Pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo.”


* * *
Fontes na internet:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Olavo_Bilac
http://joserosafilho.files.wordpress.com/2008/04/bilac.jpg

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Um texto altamente esclarecedor


O ilustre H. Correia, por meio do blogue Timor Lorosae Nação, me enviou, muito gentilmente, o seguinte esclarecimento a respeito dos nomes “Galiza” e “Timor-Leste”:

“Evandro:
(...)
Sobre Timor-Leste, foi assim o nome escolhido pelos timorenses. Acho que não foi por influência anglófona, porque conheço essa designação desde 1975. Quando muito, talvez seja influência do Tétum, pois nesta língua dizer "oriental" ou ‘Leste’ é a mesma coisa: ‘lorosa'e’ (nascer do Sol; Nascente; Oriente; Leste). Nesta língua, como em muitas línguas orientais, não se costuma dizer "do Leste ou "do Oriente". Basta dizer ‘Timor Lorosa'e’ (à letra, ‘Timor Leste’). Traduzindo corretamente para Português, deveria ser ‘Timor do Leste’ ou ‘Timor Oriental’.
Sobre a Galiza, este é o nome correto em Português, inclusive em galego. ‘Galicia’ generalizou-se (inclusive na própria Galiza) por ser nome em castelhano, devido à predominância deste idioma. O Vice-Presidente da Junta da Galiza (Governo Autónomo) e Presidente do Bloco Nacionalista Galego diz ‘Galiza’, tal como muitos galegos.

Não sei até que ponto o ilustre bloguista está por dentro do assunto, mas existe um movimento para restaurar a integridade das falas galegas e reaproximá-las do sistema da língua portuguesa, chamado reintegracionismo.
Sugiro leitura deste pequeno texto:
http://www.geocities.com/r-estrela/estrela/cultura.html

...e uma consulta mais demorada no Portal Galego da Língua: http://www.agal-gz.org/.
Dê uma olhada nos artigos, nas notícias e no fórum. Participe também.
Mais uma vez parabéns e bom trabalho.
10 de Setembro de 2008”

* * *

Bandeiras disponíveis em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Flag_of_East_Timor.svg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Flag_of_Galicia.svg

domingo, 7 de setembro de 2008

Como estimular o gosto pela leitura?

Trecho de uma entrevista da revista IstoÉ com o escritor moçambicano Mia Couto, onde a reportagem pergunta:
(...)
ISTOÉ – Como estimular o gosto pela leitura?

Ao que ele responde:

Couto – É preciso entender que os meninos estão deixando de ler os livros porque estão deixando de ler o mundo, de ser capaz de ler os outros, de ler a vida. Estão perdendo a disponibilidade de estar aberto aos demais, estar atentos às vozes, saber escutar. Há toda uma pedagogia que é preciso ser feita no conjunto. Não se pode isolar o livro e torná-lo como se fosse bandeira única desta luta. Uma coisa que aprendo na África é esta habilidade de se contar histórias e fazer com que o livro seja uma maneira de estimular, que os meninos não sejam só consumidores de história, mas também produtores de história. Quem não sabe contar uma história é pobre de alguma maneira.
(...)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Uma entrevista da Veja

Trecho de uma entrevista da Revista Veja com o professor Napoleão Mendes de Almeida (1911-1998), em 1993:
(...)
VEJA - Desde quando o brasileiro fala e escreve mal?

ALMEIDA - Pode-se dizer que o início da derrocada da nossa língua data de 1931. Com a Revolução de 30, introduziram-se as férias escolares de julho. Aí ela começou a degringolar. Talvez os próprios pais tenham provocado essa mudança, por querer descansar, mas esse descanso começou a prejudicar o ensino dos filhos.

VEJA - Essa explicação não é demasiado simples?

ALMEIDA - Essa é uma imagem histórica que uso para ilustrar um fenômeno que é bem mais complexo. O erro principal vai mais longe - na pobreza de horas diárias de aula no curso primário, por exemplo. Verifique-se se em algum país dito civilizado existem menos de oito horas de aula por dia no curso primário. Em todo os países o aluno fica na escola oito horas. Mas no Brasil o aluno vai à escola para comer. Há também a questão da remuneração dos professores: os que ensinam português não podem ter o mesmo salário dos que ensinam desenho, por exemplo. Que trabalho tem um professor de desenho? Num relance ele dá a nota para o aluno. O professor de português tem que ler palavra por palavra, para ver se o aluno não trocou um c por dois s, um g por j. E ao voltar à sala de aula ele tem que chamar os alunos um por um para explicar os erros. O de Antonio vai servir de esclarecimento para Benedito, todos se aproveitam dos erros de todos, mas esse trabalho tem que ser bem remunerado.
VEJA - Que outras deficiências do ensino fazem com que o brasileiro fale mal seu idioma?

ALMEIDA - Existe hoje uma indústria do livro didático, comandada por indivíduos incapazes de montar ou explorar um colégio, um curso que seja. Esses livros didáticos não têm concorrência, contenham eles as maiores violações gramaticais e asnices ortográficas. O professor chega ao colégio e já encontra nas prateleiras os livros que deve usar. Quer dizer que ele não tem competência para escolher? E quem se julgou competente para escolher? Um interesseiro. O ensino está entregue a um outro tipo de comércio, o das apostilas. Não se dá o texto da matéria, apenas apostilas. E qual é o valor das apostilas no futuro? Nenhum. É progresso encher uma classe de apostilas, de livrinhos e livrecos sem vulto nem tomo, tão inúteis quanto desarrazoados, sem índices nem remissões? O aluno deveria comprar o livro e o professor ter em mãos um texto da matéria que leciona. Até há algum tempo, o professor era obrigado a assinar um diário de aula, relatando que matéria tinha dado naquele dia. Existe isso hoje? Não. Fala-se mau português por causa do sistema escolar.

VEJA - Em que região do Brasil se fala o melhor português?

ALMEIDA - É difícil especificar (...). Isso é significativo. Oxalá um dia possamos dizer que o Brasil todo fala uma língua disciplinada, que revele educação, instrução, que revele um país de pessoas formadas para a sociedade.

VEJA - Estamos muito longe disso?

ALMEIDA - A distância é de pelo menos três gerações.

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Fontes na internet:
http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/entrevista_24021993.shtml
http://pt.wikipedia.org/wiki/Napole%C3%A3o_Mendes_de_Almeida