domingo, 21 de dezembro de 2008

Não são só os brasileiros...

Escrever e falar errado não é só um “privilégio” dos brasileiros...

Por o português ser a mais bela língua, deveríamos fazer um esforço
Artigo do leitor: Eduardo Lello

José Saramago, galardoado com o prémio Nobel de Literatura, sabe como ninguém, o que significa a lingua portuguesa no mundo.
A língua portuguesa, com mais de 215 milhões de falantes nativos, é a quinta língua mais falada no mundo e a terceira mais falada no mundo ocidental. Isto é a maior prova que o português é a mais bela língua o mundo e arredores. Devemos lembrar que o escritor aproveitou a oportunidade para dar uma "bicada" no mau uso que é feito do idioma. Disse mais, a língua portuguesa está bastante mal no uso corrente que se faz, no ensino, todos sabemos que se fala mal e escreve-se cada vez pior. Quem tiver dúvidas, e for ver os testes que o Ministério da Maria de Lourdes, põe na rua, para os alunos fazerem as suas provas, nem com toda a facilidade que inventaram para a subida das notas em português, os alunos conseguem encobrir os erros de escrita, apesar de os resultados serem "optimos"... Também aqui no iol.diário, se tem visto, aparecerem Senhores e Senhoras, a escrever com muita "semântica", mas é como diz o outro, "Com muita "parra", mas muita pouca uva...". Para mais, alguns que aqui escrevem, têm na sua vida familiar, professoras e professores, a seu lado, que poderiam dar-lhes umas explicações de português "suave", mas os erros aparecem, por sistema, como uma torneira a deitar água, o que é pena. Também, em matéria de erros, o Eduardinho, sofre de alguns desvios de memória, e às vezes na ânsia de comentar com algum zelo e perfeição, dá alguns pontapés na gramática, de se tirar o chapéu, e ainda não chegou o acordo ortográfico. Quando ele chegar não sabemos o que vai acontecer. Quando Ele dá pelos erros que faz, fica branco como a cal, mas já não vai a tempo de corrigi-los. O que vale é que há malta que não deixa passar nada e vai daí, atira-lhe algumas pedras, mas nunca lhe acertam. Está na hora, de cada vez que escrevemos alguma coisa, nos lembremos do camarada José Saramago, e nos esforcemos por evitar os erros de escrita, para que a língua portuguesa possa continuar a ser a mais bela língua do universo.

Disponível em:

Se o português é assassinado assim em Portugal, que dirá aqui no Brasil...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Brincando com o sentido das palavras

A língua escrita pode gerar alguns jogos interessantes de palavras, ou mesmo trocadilhos. A letra da música a seguir é de “Camisa 10”, do cantor e compositor santista Luiz Américo, que fez um enorme sucesso em 1974, ano em que a Copa do Mundo foi realizada na ex-Alemanha Ocidental.
O Brasil, campeão da copa anterior, em 1970 no México, já não contava mais com craques como Pelé, Gérson e Tostão, apesar de ter na seleção alguns nomes da seleção tricampeã como Jairzinho, Rivelino e Piazza. Tinha muitas caras novas como Dirceu, Luís Pereira, Leivinha e Carpegiani.

Luís Pereira recebe o cartão vermelho durante a partida contra a Holanda

Além disso, seria a primeira vez, desde 1958, que o Brasil não teria Pelé num Mundial, pois ele havia se despedido da seleção em 1971. A torcida estava num clima de desconfiança, já que o futebol mostrado estava muito aquém do esperado.

Cruijff e Cia. deram um baile numa seleção brasileira perdida em campo

Resultado: aos trancos e barrancos, a Seleção Brasileira acabou na quarta posição, perdendo, respectivamente, para Holanda (0x2, num espetáculo de futebol do “Carrossel Holandês” liderado por Johan Cruijff), e Polônia (0x1, na decisão do terceiro lugar).
Time do Brasil antes da decisão do terceiro lugar contra a Polônia


Camisa 10 (Luiz Américo)

Desculpe seu Zagalo [1]

Mexe nesse time que ta muito fraco
Levaram uma flecha, esqueceram o arco
Botaram muito fogo e sopraram o furacão [2]
Que nem saiu do chão

Desculpe seu Zagalo

Puseram uma palhinha [3] na sua fogueira
E se não fosse a força desse pau pereira [4]
Comiam um frango assado lá na jaula do leão [5]

Mas não tem nada não!

Cuidado seu Zagalo
O garoto do parque [6] está muito nervoso
E nesse meio campo fica perigoso
Parece que desliza nesse vai não vai

Quando não cai

É camisa dez da seleção, laiá, laiá, laiá (bis)
Dez é a camisa dele, quem é que vai no lugar dele [7] (bis)
Desculpe seu Zagalo
A crítica que faço é pura brincadeira
Espírito de humor , torcida brasileira
A turma está sorrindo para não chorar.../ tá devagar

(É camisa dez da seleção...)
[1] Zagalo era o treinador da seleção.
[2] "Furacão" foi o apelido que Jairzinho ganhou na Copa do México em 1970.
[3] Palhinha era atacante do Cruzeiro.
[4] Talvez seja uma referência ao zagueiro Luís Pereira.
[5] Leão, goleiro da seleção nas copas de 1970 (reserva), 1974 (titular), 1978 (titular) e 1986 (reserva).
[6] O "garoto do Parque" em questão é Rivelino, então atleta do Corinthians, e que ficou com a camisa 10 na Alemanha.
[7] "Quem é que vai no lugar dele", ou seja, de Pelé.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

É Bombaim ou Mumbai?

Com os recentes ataques terroristas na Índia, os jornais ora dizem “Bombaim”, ora chamam a cidade de “Mumbai”. Mas o certo seria a forma antiga que é a mais conhecida (Bombaim), ou deve ser usada a mais recente (Mumbai)?
Na
Wikipédia está escrito:

Controvérsia sobre o nome

Há entre os lusófonos quem considere a forma Bombaim como a única correta em português; quem entenda que a única versão correta é Mumbai; e quem acate as duas formas.

Argumentos em favor da forma Bombaim
Segundo os defensores deste ponto de vista, a decisão do estado de Maharashtra, em 1995, no sentido de repudiar a forma inglesa Bombay e adotar apenas a versão marata Mumbai para referir-se oficialmente à cidade não foi, propriamente, uma mudança de nome, mas sim uma rejeição da versão tradicional em inglês. A decisão, portanto, conforme esta linha de argumentação, não deveria repercutir além da língua inglesa, no contexto oficial indiano. O argumento continua: partindo-se do princípio de que, se o governo de uma cidade ou país tem o direito de alterar ou (neste caso) adaptar um nome local, é forçoso reconhecer que cada idioma também possui o direito de decidir, conforme processos naturais e próprios de cada língua, se e como absorver a mudança ou adaptação. O argumento conclui afirmando que, até ao momento, os processos naturais da
língua portuguesa apontam para uma preferência dos lusófonos pela forma Bombaim, embora alguns empreguem a forma Mumbai em português.
Outros argumentos em favor da forma Bombaim:
Etimologia: a origem da palavra Bombaim é o termo marata para Mumba-Devi, a mesma etimologia, portanto, da versão marata (oficial) para a cidade (...); Bombaim é, portanto, apenas uma adaptação à língua portuguesa de uma palavra de origem estrangeira, da mesma maneira que grafamos
Londres, em vez de London, ou Estocolmo, em vez de Stockholm, ou Tóquio, em vez de 東京 , ou Riade, em vez de الرياض .
Colonialismo
: alguns argumentam que a forma inglesa Bombay (e, por conseguinte, a portuguesa Bombaim) representa uma atitude colonialista dos anglófonos e dos lusófonos, que teriam criado os termos Bombay e Bombaim, ao arrepio das formas nativas para o local. Os defensores da forma Bombaim em português salientam (...) que as versões Bombay e Bombaim são apenas adaptações da forma original marata (Mumbai), da mesma maneira que as línguas inglesa e portuguesa adaptaram para si o topónimo italiano Firenze (Florence e Florença, respectivamente), sem que se cogitasse de colonialismo neste caso.
Fonética: ao transliterar a forma marata मुंबई para Mumbai, o governo local teria dado preferência à pronúncia inglesa, ignorando como a transliteração soaria em outras línguas. Em outras palavras, segundo este argumento, a adaptação de 1995 ter-se-ia preocupado apenas com a pronúncia em inglês. Este problema é especialmente visível para os lusófonos na recente transliteração (Kozhikode) de outra cidade indiana, Calecute.
Só lembrando que a cidade de Bombaim, importante centro financeiro asiático e capital econômica da Índia, foi portuguesa de 1534 a 1661, quando foi cedida à Inglaterra, como dote de casamento de Catarina de Bragança com Carlos II, passando a fazer parte da União Indiana após a independência do país, em 1947.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Estrangeirismos de Informática

Histórico e evolução

O inglês é a língua adotada mundialmente devido à influência que os países de fala inglesa têm sobre o mundo. Pelas ruas, é comum vermos o uso de palavras oriundas da língua inglesa, e a via de informação tecnológica pode ser considerada uma das principais usuárias dessa importação em grande escala.
Algumas circunstâncias nos têm levado a encarar com excessiva naturalidade (ou até mesmo com certa indiferença) a presença ameaçadora desses elementos em nossa cultura. Nossa extrema familiaridade com a Língua Inglesa, por exemplo, é uma dessas circunstâncias, pois depois do português ela é a língua que mais utilizamos, embora estejamos cercados por países de língua castelhana.
A verdade é que diariamente recebemos um bombardeio de palavras e expressões da Língua Inglesa por diversos meios. E, com presença tão marcante de vocábulos estrangeiros no Brasil, será que permitir uma invasão exagerada do inglês na língua portuguesa em contexto brasileiro representa um processo de evolução lingüística? Ou de desvalorização do nosso patrimônio lingüístico?
As influências lingüísticas de uma Nação sobre outra não podem ser consideradas parcialmente. É preciso levar em consideração todo um conjunto cultural agregado ao idioma que, dessa forma, pode ser visto como elemento de disseminação cultural.
(...)
O estrangeirismo, enquanto fenômeno lingüístico chama a atenção dos gramáticos, defensores da língua pura e dos lingüistas, defensores de que a língua sempre sofre alterações. Esses diferentes pontos de vista acerca desse assunto, preenchem laudas e mais laudas acerca dele, com opiniões tão diversas, às vezes até contraditórias. Existe, ainda, muita confusão e pouca informação acerca desse fenômeno.
Na língua portuguesa os estrangeirismos mais freqüentes são hoje galicismos e anglicanismos. O vocábulo estrangeiro, quando é sentido como necessário, pelo menos útil, tende a adaptar-se à fonologia e à morfologia da língua nacional, o que para a nossa língua vem a ser aportuguesamento. Em referência às construções sintáticas, a diferença entre estrangeirismo e empréstimo é imprecisa e está, apenas, em maior ou menor sensação de naturalidade.
(...)

A influência da língua inglesa, não só na língua portuguesa como também em outras línguas, acompanhou o crescimento do poder econômico dos Estados Unidos da América, notadamente após o fim da 2ª guerra mundial em 1945. O contato com a cultura norte-americana espalhou-se, a princípio, por meio do cinema e da música, vindo a estreitar-se no mundo dos negócios. Com o desenvolvimento da tecnologia, a informática é, hoje, uma das principais responsáveis pela transferência de uma grande quantidade de anglicismos ao português do Brasil.
Acredita-se que o imperialismo lingüístico do inglês não é a força atual do inglês em si, mas da expansão econômica, cultural e tecnológica dos EUA. A língua é secundária vem com o resto. Os homens preferem falar a língua que lhes permite se movimentar no planeta, portanto se os Estados Unidos é potência e dominante na área de informática é natural que as palavras referentes ao assunto sejam conservadas em sua forma original.
Uma língua como o inglês não teria o título de global sem ter realizado uma transformação lingüística, introduzindo-se em outros idiomas, através do uso de palavras emprestadas, se fazendo conhecer em todo o mundo, sendo como língua estrangeira ou como segunda língua.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Em memória do padre Vieira

A classe política brasileira muitas vezes é digna de censura mas merece, igualmente, todo o louvor quando faz algo como o ocorrido há aproximadamente dez dias, quando o Senado brasileiro fez uma sessão solene em homenagem aos quatrocentos anos de nascimento do padre António Vieira (1608-1697).
Pe. Vieira, sacerdote, diplomata e grande orador, é um dos maiores nomes da língua portuguesa, e recebe de maneira justa todo tipo de homenagens.
Defensor dos índios, negros e judeus, era grande pregador do Evangelho, e autor de diversas obras, de cunho político ou religioso, que ficaram para sempre, iluminando a mente de toda os povos, sejam eles lusófonos ou não.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Coisas do português... - parte 1

“Ai se ela me desse um pouco desse sorvete...”



Palavras iguais mas com pronúncias diferentes, são os chamados Homônimos homógrafos.
Para obter maiores detalhes, clique aqui e aqui.

domingo, 12 de outubro de 2008

Uma dúvida egípcia

Se com a nova ortografia os portugueses escreverão como os brasileiros a palavra Egito, e não mais Egipto, como será escrita a palavra egípcio?

"Egício"?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Problemas com o hífen na nova ortografia

Para especialistas, hífen pode complicar reforma ortográfica
Controvérsias serão resolvidas só com a criação de um vocabulário.
Processo pode demandar meses para ser solucionado.
Simone Harnik do G1, em São Paulo

Favoráveis ou não às mudanças ortográficas, especialistas ouvidos pelo G1 são unânimes ao afirmar que as novas regras do hífen são as mais polêmicas e que exigem maior trabalho da Academia Brasileira de Letras (ABL) na implementação do acordo ortográfico
sancionado nesta segunda-feira (29) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“O problema sério é o uso do hífen, hoje ele é muito complicado. Houve uma tentativa de racionalização do seu uso, mas há muitas exceções”, afirma o professor de lingüística da Universidade de São Paulo (USP) José Luiz Fiorin.
Segundo o professor, o acordo assinado tem lacunas sobre as palavras compostas que levam o sinal gráfico. “O acordo diz que nas palavras formadas por composição haverá o hífen, exceto quando se perdeu a noção da composição. Mas a perda não pode ficar a critério de cada falante”, aponta.
Fiorin exemplifica o problema com as palavras “madressilva” (nome de uma planta) e “pára-quedas”. Para o professor, o acordo não define claramente qual será o destino desses vocábulos. A solução está na criação de um vocabulário pela ABL, que estabelece as normas para os vazios deixados pela reforma.
“Se o vocabulário for baseado só no que muda, não demora muito para fazer: é questão de alguns poucos meses. Mas se for necessário construir todo o vocabulário, o processo vai demorar muito”, afirma.

Mãos à obra
Crítico da reforma ortográfica, o professor Sérgio Nogueira argumenta que agora é hora de enfrentar o problema. “A essa altura, não tem mais jeito. É inevitável, a reforma, então temos de aprender”, afirmou.
Na opinião de Nogueira, o acordo não serve para unificar a língua dos oito países que falam português. “Há diferenças que a reforma não pega, que são os aspectos semânticos e sintáticos.”
“O pior problema vai ser com o hífen, que já é difícil por natureza. As pessoas não têm conhecimento sobre a regra”,diz. “Ainda há casos problemáticos e há palavras que têm duas grafias. Tudo isso precisa ser resolvido”, diz.
Para o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e autor do livro “Escrevendo pela Nova Ortografia”, José Carlos Santos de Azeredo, o texto aprovado tem um vácuo quando aborda o uso do hífen.
“O acordo não é muito preciso no que diz respeito às formas constituídas de dois substantivos ligados por preposição”, diz. O exemplo é a palavra “pé-de-cabra” (nome de uma ferramenta), que, segundo as novas regras, não deveria ter hífen. No entanto, de acordo com Azeredo, o próprio acordo aponta que, em composições de palavras cujo uso do hífen se consagrou, não haverá alterações.
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Interesse das editoras?

Comentário de um anônimo no jornal O Estado de São Paulo:
É preciso desmascarar esse acordo ortográfico como sendo de interesse unicamente das editoras, de olho no mercado, mas contrário aos milhões de jovens brasileiros que se iniciam no aprendizado da sua língua pátria. A eliminação dos acentos em "ói" "éi" visa unicamente a atender à prosódia portuguesa. No Brasil a pronúncia é aberta "assembléia", "colméia". Como ensinar ao menino e à menina lá no interior do Mato Grosso, com seu livrinho na mão, a pronúncia de "colmeia" (como agora será escrito)? Mando comprar computador e encomendar dicionário com CD? Com a grafia anterior ela não precisava nada disso. O Mesmo pergunto quando essa criança vir "exiguidade". Antes, o trema resolvia a dúvida, agora, terá que checar em dicionário. Esse acordo prejudica a educação no Brasil, já tão mal das pernas. É preciso acabar com essa balela de "unificação". Mentira! Antes, desunifica. Agora os portugueses poderão escrever "conceção" e "receção". Não entendeu? São as conhecidíssimas "concepção" e "recepção". Unificou? Mentira!
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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A herança da Língua Portuguesa no Oriente


A HERANÇA DA LÍNGUA PORTUGUESA NO ORIENTE
MÁLACA, KORLAI, GOA, DAMÃO, DIU, CEILÃO, MACAU, TIMOR...
Escrito por Marco Ramerini
Tradução feita por Márcia Siqueira de Carvalho



A língua portuguesa foi, nos séculos XVI, XVII e XVII, a língua dos negócios nas costas do Oceano Índico, em função da expansão colonial e comercial portuguesa.
O português foi usado, naquela época, não somente nas cidades asiáticas conquistadas pelos portugueses, mas também por muitos governantes locais nos seus contatos com outros estrangeiros poderosos (holandeses, ingleses, dinamarqueses, etc).
No Ceilão, por exemplo, o português foi usado para todos os contatos entre os europeus e a população nativa; vários reis do Ceilão falavam fluentemente esta língua e nomes portugueses eram comuns na nobreza.
Quando os holandeses ocuparam a costa do Ceilão, principalmente sob as ordens de Van Goens, eles tomaram medidas para parar o uso da língua portuguesa. Porém, ele estava tão entranhado entre os habitantes do Ceilão que até mesmo as famílias dos burgueses holandeses começaram a usar a língua portuguesa.
Em 1704, o governador Cornelius Jan Simonsz falava que: "
se você fala português no Ceilão, você é entendido em todo lugar"
.
Também na cidade de Batávia, capital da Holanda Oriental (atual Jakarta), o português foi a língua falada nos séculos XVII e XVIII.
As missões religiosas contribuíram para esta grande expansão da língua portuguesa. Isto porque desde que as comunidades se convertiam ao catolicismo, elas adotavam o português como língua materna. Também as missões protestantes (holandeses, dinamarqueses, ingleses...) que trabalharam na Índia foram forçadas a usar o português como a língua de evangelização. A língua portuguesa também influenciou várias línguas orientais. Muitas palavras portuguesas foram incorporadas por vários idiomas orientais, como as da Índia, do suaíli, malaio, indonésio, bengali, japonês, as várias do Ceilão, o tétum de Timor, africâner da África do Sul, etc.
Além disso, onde a presença portuguesa era preponderante ou mais duradoura, cresceram as comunidades de "casados" e "mestiços" que adotaram uma variedade de língua mãe: uma espécie de crioulo português. O que restou hoje é muito pouco. Entretanto é interessante notar que, neste sentido, existem pequenas comunidades de pessoas espalhadas por toda a Ásia que continuam a usar o "creoule" português, embora não tenham mais contatos com Portugal, em alguns casos, durante séculos.
Outro aspecto interessante é que durante o período mais importante da presença portuguesa na Ásia, não havia mais do que 12.000 a 14.000 portugueses, incluindo os religiosos.


Texto completo disponível em:

domingo, 14 de setembro de 2008

Igreja velha de São Miguel Paulista, São Paulo

No tempo em que colonização e evangelização andavam juntas, civilizar e converter o gentio também foram missões dos colonizadores portugueses, seja na América, África ou Ásia. Um exemplo disso é a capela de São Miguel, construída pelos índios, sob orientação do bandeirante Fernão Munhoz e do jesuíta João Álvares, na então aldeia de Ururaí, em 1622, na atual zona leste da cidade de São Paulo, sendo a mais antiga construção religiosa ainda existente no município. Fica numa região próxima ao rio Tietê, tão usado nas viagens dos bandeirantes para o interior do Brasil, expandindo as fronteiras para além do Tratado de Tordesilhas.

Imagine-se o diálogo entre eles, talvez na chamada “língua geral”, onde se misturavam palavras tupis e portuguesas...

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Fontes pesquisadas na internet:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_de_S%C3%A3o_Miguel_(S%C3%A3o_Miguel_Paulista)
http://www.catedralsaomiguel.org.br/capela.php
http://www.institutovotorantim.org.br/Noticias/ListaNoticias/Paginas/080618_RestauracaoCapelaSMiguel.aspx
http://www.panoramio.com/photos/original/652666.jpg

sábado, 13 de setembro de 2008

Bilac já dizia...

Já dizia Olavo Bilac (1865-1918):

“A Pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo.”


* * *
Fontes na internet:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Olavo_Bilac
http://joserosafilho.files.wordpress.com/2008/04/bilac.jpg

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Um texto altamente esclarecedor


O ilustre H. Correia, por meio do blogue Timor Lorosae Nação, me enviou, muito gentilmente, o seguinte esclarecimento a respeito dos nomes “Galiza” e “Timor-Leste”:

“Evandro:
(...)
Sobre Timor-Leste, foi assim o nome escolhido pelos timorenses. Acho que não foi por influência anglófona, porque conheço essa designação desde 1975. Quando muito, talvez seja influência do Tétum, pois nesta língua dizer "oriental" ou ‘Leste’ é a mesma coisa: ‘lorosa'e’ (nascer do Sol; Nascente; Oriente; Leste). Nesta língua, como em muitas línguas orientais, não se costuma dizer "do Leste ou "do Oriente". Basta dizer ‘Timor Lorosa'e’ (à letra, ‘Timor Leste’). Traduzindo corretamente para Português, deveria ser ‘Timor do Leste’ ou ‘Timor Oriental’.
Sobre a Galiza, este é o nome correto em Português, inclusive em galego. ‘Galicia’ generalizou-se (inclusive na própria Galiza) por ser nome em castelhano, devido à predominância deste idioma. O Vice-Presidente da Junta da Galiza (Governo Autónomo) e Presidente do Bloco Nacionalista Galego diz ‘Galiza’, tal como muitos galegos.

Não sei até que ponto o ilustre bloguista está por dentro do assunto, mas existe um movimento para restaurar a integridade das falas galegas e reaproximá-las do sistema da língua portuguesa, chamado reintegracionismo.
Sugiro leitura deste pequeno texto:
http://www.geocities.com/r-estrela/estrela/cultura.html

...e uma consulta mais demorada no Portal Galego da Língua: http://www.agal-gz.org/.
Dê uma olhada nos artigos, nas notícias e no fórum. Participe também.
Mais uma vez parabéns e bom trabalho.
10 de Setembro de 2008”

* * *

Bandeiras disponíveis em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Flag_of_East_Timor.svg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Flag_of_Galicia.svg

domingo, 7 de setembro de 2008

Como estimular o gosto pela leitura?

Trecho de uma entrevista da revista IstoÉ com o escritor moçambicano Mia Couto, onde a reportagem pergunta:
(...)
ISTOÉ – Como estimular o gosto pela leitura?

Ao que ele responde:

Couto – É preciso entender que os meninos estão deixando de ler os livros porque estão deixando de ler o mundo, de ser capaz de ler os outros, de ler a vida. Estão perdendo a disponibilidade de estar aberto aos demais, estar atentos às vozes, saber escutar. Há toda uma pedagogia que é preciso ser feita no conjunto. Não se pode isolar o livro e torná-lo como se fosse bandeira única desta luta. Uma coisa que aprendo na África é esta habilidade de se contar histórias e fazer com que o livro seja uma maneira de estimular, que os meninos não sejam só consumidores de história, mas também produtores de história. Quem não sabe contar uma história é pobre de alguma maneira.
(...)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Uma entrevista da Veja

Trecho de uma entrevista da Revista Veja com o professor Napoleão Mendes de Almeida (1911-1998), em 1993:
(...)
VEJA - Desde quando o brasileiro fala e escreve mal?

ALMEIDA - Pode-se dizer que o início da derrocada da nossa língua data de 1931. Com a Revolução de 30, introduziram-se as férias escolares de julho. Aí ela começou a degringolar. Talvez os próprios pais tenham provocado essa mudança, por querer descansar, mas esse descanso começou a prejudicar o ensino dos filhos.

VEJA - Essa explicação não é demasiado simples?

ALMEIDA - Essa é uma imagem histórica que uso para ilustrar um fenômeno que é bem mais complexo. O erro principal vai mais longe - na pobreza de horas diárias de aula no curso primário, por exemplo. Verifique-se se em algum país dito civilizado existem menos de oito horas de aula por dia no curso primário. Em todo os países o aluno fica na escola oito horas. Mas no Brasil o aluno vai à escola para comer. Há também a questão da remuneração dos professores: os que ensinam português não podem ter o mesmo salário dos que ensinam desenho, por exemplo. Que trabalho tem um professor de desenho? Num relance ele dá a nota para o aluno. O professor de português tem que ler palavra por palavra, para ver se o aluno não trocou um c por dois s, um g por j. E ao voltar à sala de aula ele tem que chamar os alunos um por um para explicar os erros. O de Antonio vai servir de esclarecimento para Benedito, todos se aproveitam dos erros de todos, mas esse trabalho tem que ser bem remunerado.
VEJA - Que outras deficiências do ensino fazem com que o brasileiro fale mal seu idioma?

ALMEIDA - Existe hoje uma indústria do livro didático, comandada por indivíduos incapazes de montar ou explorar um colégio, um curso que seja. Esses livros didáticos não têm concorrência, contenham eles as maiores violações gramaticais e asnices ortográficas. O professor chega ao colégio e já encontra nas prateleiras os livros que deve usar. Quer dizer que ele não tem competência para escolher? E quem se julgou competente para escolher? Um interesseiro. O ensino está entregue a um outro tipo de comércio, o das apostilas. Não se dá o texto da matéria, apenas apostilas. E qual é o valor das apostilas no futuro? Nenhum. É progresso encher uma classe de apostilas, de livrinhos e livrecos sem vulto nem tomo, tão inúteis quanto desarrazoados, sem índices nem remissões? O aluno deveria comprar o livro e o professor ter em mãos um texto da matéria que leciona. Até há algum tempo, o professor era obrigado a assinar um diário de aula, relatando que matéria tinha dado naquele dia. Existe isso hoje? Não. Fala-se mau português por causa do sistema escolar.

VEJA - Em que região do Brasil se fala o melhor português?

ALMEIDA - É difícil especificar (...). Isso é significativo. Oxalá um dia possamos dizer que o Brasil todo fala uma língua disciplinada, que revele educação, instrução, que revele um país de pessoas formadas para a sociedade.

VEJA - Estamos muito longe disso?

ALMEIDA - A distância é de pelo menos três gerações.

* * *
Fontes na internet:
http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/entrevista_24021993.shtml
http://pt.wikipedia.org/wiki/Napole%C3%A3o_Mendes_de_Almeida

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A Universidade de Coimbra

Criada em 1290, no tempo do rei D. Dinis e do papa Nicolau IV, a Universidade de Coimbra foi e ainda é uma importante referência na difusão da cultura e do saber, sendo que por ela passaram grandes nomes da História do Brasil, entre os quais o poeta Tomás António Gonzaga e o político José Bonifácio de Andrada e Silva.

Fontes:

O fim do trema

Por que vão acabar com o trema?
Se falássemos como se escreve, então falaríamos CINKENTA, FREKENTE, LINGHIÇA...
A língua francesa é tão ou mais cheia de acentos do que a portuguesa, e nem por isso deixou de ser prestigiada, apesar do destaque da língua inglesa.
Deveriam fazer o povo aprender a gostar da língua portuguesa, que por si só já não é lá muito fácil de aprender, mas os donos do idioma preferem mexer nele pela enésima vez, em menos de cem anos! Aí reclamam que as pessoas cometem erros de ortografia ao escreverem!
Camões deve revirar no túmulo, a cada vez que resolvem dar uma mexida na estrutura da língua.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Castelo de São Jorge da Mina

Primeira construção européia nos trópicos (e a mais antiga ainda existente), o castelo da Mina foi erguido em 1482, sob o comando de Diogo de Azambuja, no tempo do rei D. João II. Construída para defender os interesses econômicos dos portugueses, passou a ser, posteriormente, um entreposto de escravos para o Novo Mundo.
Tomado pelos holandeses em 1637, foi cedida aos ingleses em 1872, sendo que passou a ser de Gana a partir de 1957, ano da independência.
Foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1979.

Fontes:

domingo, 27 de julho de 2008

As variantes lingüísticas - Samba do Arnesto

Apesar de todo idioma ter as normas que lhe regem, é inegável que a maior riqueza dele são as diferentes formas dele ser falado, e a língua portuguesa não fugiu à regra, com uma grande variedade de sotaques e pronúncias, ainda que erradas conforme a norma culta.
Um exemplo disso é a composição de Adoniran Barbosa, Samba do Arnesto, a conhecida música do grupo Demônios da Garoa, onde a linguagem é coloquial demais, com erros crassos de português, e isso sem falar no forte acento italiano das palavras, quando é ouvida.
O Arnesto nos convidô prum samba, ele mora no Brás
Nóis fumo e não encontremos ninguém
Nóis vortemo cuma baita duma reiva
Da outra vêiz nóis num vai mais
(Nóis não semos tatu!)
O Arnesto nos convidô prum samba,
ele mora no Brás
Nóis fumo e não encontremos ninguém
Nóis vortemo cuma baita duma reiva
Da outra veiz nóis num vai mais
Outro dia encontremo com o Arnesto
Que pidiu descurpa mais nóis não aceitemos
Isso não se faz, Arnesto,
nóis não se importa
Mais você devia ter ponhado um recado na porta
Ansim: "Ói, turma, num deu prá esperá
A vez que isso num tem importância, num faz má
Depois que nóis vai, depois que nóis vorta
Assinado em cruz porque não sei escrever Arnesto"
* * *
Fontes na internet:

terça-feira, 15 de julho de 2008

Mais uma voz contra o novo acordo da ortografia

Trecho de um texto de Hélio Schwartsman, da Folha de São Paulo, a respeito da reforma ortográfica, publicado em 29 de maio último:

“Encabeça o rol dos desvarios oficiais a estapafúrdia reforma ortográfica que, depois da capitulação do Parlamento português, deverá começar a ser adotada dos dois lados do Atlântico.
Mais uma vez, burocratas pretendem enfiar-nos caprichos lingüísticos alheios goela abaixo. Há aí dois despropósitos e uma sacanagem. Em primeiro lugar, a reforma proposta é ruim: gasta-se muita energia para obter avanços menos do que tímidos em termos de unificação da escrita dos países lusófonos. Em segundo e mais importante, é errado e inútil tentar definir os rumos de uma língua natural --grafia inclusa.
Quanto mais penso, mais fico revoltado. Toda a situação pode ser resumida como um conluio entre acadêmicos espertos e parlamentares obtusos para, à custa do esforço de algo como 300 milhões de usuários da língua portuguesa, que terão de perder tempo "reciclando-se", beneficiar meia dúzia de editores que já têm prontos dicionários, gramáticas, cursos de atualização e material didático de acordo com a "nova ortografia".
Nunca foram meia dúzia de consoantes mudas --como nas formas lusitanas "adopção" e "óptimo"-- que constituíram barreira à intercomunicabilidade entre leitores e escritores dos dois lados do oceano. O mesmo se pode dizer do trema, das quatro ou cinco regras de acentuação que serão alteradas e das sempre exóticas disposições sobre o hífen --os demais pontos que a reforma abarca. Se há empecilhos à boa compreensão entre falantes do Brasil, de Portugal e de países africanos e asiáticos, eles estão na escolha do léxico e no uso de expressões locais, felizmente ao abrigo da sanha legiferante de dicionaristas e parlamentares.
Línguas são como organismos vivos: nascem, crescem e morrem. Fazem-no independentemente de leis e decretos. E, até onde me lembro, jamais deleguei a nenhum parlamentar ou governante poderes para regular o meu quinhão do contrato social lingüístico que vigora entre falantes de um idioma. Se dependesse de mim, o acordo seria denunciado e todos poderíamos seguir escrevendo sem a interferência de burocratas de pouco tino.”


Disponível em:

domingo, 6 de julho de 2008

Por que não o Latim?

Começo este texto com uma pergunta: por que não colocar a Língua Latina no currículo escolar? Ainda que seja uma língua "morta", ela serve de base para o Português, já que ele é derivado dela, e as pessoas poderiam aprender de onde vêm muitas palavras que existem na nossa língua.
Creio que com o ensino do latim nas escolas, as pessoas aumentariam muito a cultura, já que o único ensino de língua estrangeira mais comum é o de Língua Inglesa, que por sinal está muito saturado, resumindo-se ao verbo to be.
E deveriam estudar latim também os donos do idioma, que gostam de inventar regras e reformas que mais atrapalham do que ajudam, pois se o povo mal sabe escrever na regra atual, que dirá depois do novo acordo.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Colonia del Sacramento

Colonia del Sacramento, cidade uruguaia fundada pelos portugueses em 1680, é o símbolo da ambição portuguesa de dominar a região do Rio da Prata. Ainda guarda muitos traços desse período, apesar de a dominação lusitana não ter sido longa.
Há que se ressaltar a influência do português no Uruguai, principalmente no norte do país, na fronteira com o Brasil, onde existem até os chamados DPU, Dialectos Portugueses del Uruguay; recentemente o ensino da Língua Portuguesa foi instituído na grade curricular das escolas uruguaias.
Outra coisa que chama bastante a atenção é o crescente interesse pela aprendizagem do português na Argentina, até devido ao Mercosul.

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Fonte da foto:

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Uma passadinha em Diu

Diu, que foi de Portugal entre 1535 e 1961, quando foi invadida pela União Indiana, é uma das antigas pérolas portuguesas do Oriente, ainda guardando alguns traços desse tempo; a outrora fortaleza lusitana na Ásia tem histórias de terríveis, porém heróicas, batalhas dos portugueses contra as forças de egípcios, otomanos e indianos, que muitas vezes lhes eram bem superiores, em homens, navios e canhões.
Sofreu ainda o assédio dos árabes e dos holandeses, restando a ela a marca de símbolo na luta entre cristãos e muçulmanos.
Depois da "integração" à Índia, o português deixou de ser ensinado nas escolas, resistindo em antigas construções e na população mais idosa.
Detalhe na inscrição em português na velha parede da foto abaixo:

Se não fosse o "pacifista" Nehru, talvez uma grande parte da população de Diu ainda falasse português fluentemente.
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Fontes (na Internet):
Wikipédia
Alma de Viajante

sábado, 28 de junho de 2008

Pendências da Reforma de 1943

A Reforma Ortográfica de 1943 não ficou muito clara. Nela existem ainda algumas pendências, que foram deixadas de lado pela reforma atual. A de 1971 nem se fala.
Por exemplo: com essa reforma, porque não restaurar a utilização da letra h nos hiatos? Podemos fazer isso em palavras como:

Jaú > Jahu
Acaraú > Acarahu
saída > sahida
Paraíba > Parahyba
(aproveitando a volta do y)
Piauí > Piauhy
Crateús > Cratehus
veículo > vehiculo

Outro lugar onde deveria ser restaurado o h:
é > he
Até porque com o h, não precisaria usar acentos, e a intenção dos eruditos da Língua Portuguesa não era essa?
E tem outra coisa que me intriga: maciço não é aquilo que tem muita massa? Então por que não se deve escrever massiço?
E ainda tem mais um questionamento meu: extensão não é o ato de estender algo? Por que continuarmos escrevendo extensão com x e estender com s? Pela origem latina, deveria ser escrito extender.
A terceira dúvida: É Cingapura ou Singapura? Por que no Brasil se escreve com c e em Portugal com s?
Outra: lá nos primórdios, no tempo dos meus bisavós, açúcar se escrevia assúcar, e Suíça se escrevia Suíssa. Já que pensam que acentos só atrapalham, e querem eliminá-los, como se parecesse que estão a imitar os ingleses, porque não abolir também o ç nas palavras acima citadas?
Outros exemplos:
Iguaçu > Iguassu
Paraguaçu > Paraguassu
Piraçununga > Pirassununga

Esse novo acordo ortográfico deveria se preocupar com algo mais lógico (e até óbvio). Os donos do idioma se preocuparam com muita coisa desnecessária, inventando aberrações, estragando o Português. Parece que eles têm algum interesse obscuro com a mudança da ortografia.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A polêmica da reforma ortográfica

Essa "bendita" reforma já era polêmica desde o início, como podemos ver neste texto extraído da revista Veja:

25 de maio de 1995

ARTIGO
Uma ação que além de vã é frívola

Ficar promovendo reformas na ortografia
é o supra-sumo de não ter nada que fazer

Roberto Pompeu de Toledo

Já não basta ficarem mexendo toda hora no valor e no nome do dinheiro? Nos juros, no crédito, nas alíquotas de importação, no câmbio, na Ufir e nas regras do imposto de renda? Já não basta mudarem as formas da Lua, as marés, a direção dos ventos e o mapa da Europa? E as regras das campanhas eleitorais, o ministério, o comprimento das saias, a largura das gravatas? Não basta os deputados mudarem de partido, homens virarem mulher, mulheres virarem homem e os economistas virarem lobisomem, quando saem do Banco Central e ingressam na banca privada?
Já não basta os prefeitos, como imperadores romanos, tentarem mudar o nome de avenidas cruciais, como a Vieira Souto, no Rio de Janeiro, ou se lançarem à aventura maluca de destruir largos pedaços da cidade para rasgar avenidas, como em São Paulo? Já não basta mudarem toda hora as teorias sobre o que engorda e o que emagrece? Não basta mudarem a capital federal, o número de Estados, o número de municípios, e até o nome do país, que já foi Estados Unidos do Brasil e depois virou República Federativa do Brasil?
Não, não basta. Lá vêm eles de novo, querendo mudar as regras de escrever o idioma. "Minha pátria é a língua portuguesa", escreveu Fernando Pessoa pela pena de um de seus heterônimos, Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego. Desassossegados estamos. Querem mexer na pátria. Quando mexem no idioma, põem a mão num espaço íntimo e sagrado como a terra de onde se vem, o clima a que se acostumou, o pão que se come.
Aprovou-se recentemente no Senado mais uma reforma ortográfica da língua portuguesa. É a terceira nos últimos 52 anos, depois das de 1943 e 1971 - muita reforma, para pouco tempo. Uma pessoa hoje com 60 anos aprendeu a escrever "idéa", depois, em 1943, mudou para "idéia", ficou feliz em 1971 porque "idéia" passou incólume, mas agora vai escrever "ideia", sem acento.
Reformas ortográficas são quase sempre um exercício vão, por dois motivos. Primeiro, porque tentam banhar de lógica o que, por natureza, possui extensas zonas infensas à lógica, como é o caso de um idioma. Escreve-se "Egito", e não "Egipto", mas "egípcio", e não "egicio", e daí? Escreve-se "muito", mas em geral se fala "muinto". Segundo, porque, quando as reformas se regem pela obsessão de fazer coincidir a fala com a escrita, como é o caso das reformas da língua portuguesa, estão correndo atrás do inalcançável. A pronúncia muda no tempo e no espaço. A flor que já foi "azálea" está virando "azaléa" e não se pode dizer que esteja errado o que todo o povo vem consagrando. Poder se pronuncia "poder" no Sul do Brasil e "puder" na Pefelândia, onde fica o Brasil do Nordeste. Querer que a grafia coincida sempre com a pronúncia é como correr atrás do arco-íris, e a comparação não é fortuita, pois uma língua é uma coisa bela, mutável e misteriosa como um arco-íris.
Acresce que a atual reforma, além de vã, é frívola. Sua justificativa é unificar as grafias do português do Brasil e de Portugal. Ora, no meio do caminho percebeu-se que seria uma violência fazer um português escrever fato quando fala facto, ou recepção quando fala receção, da mesma forma como seria cruel fazer um brasileiro escrever facto ou receção (que ele só conhece, e bem, com dois S, no sentido de inferno astral da economia). Deixou-se então que cada um continuasse a escrever como está acostumado, no que se fez bem, mas, se a reforma era para unificar e não unifica, para que então fazê-la? Unifica um pouco, responderão os defensores da reforma. Mas, se é só um pouco, o que adianta? Aliás, para que unificar? O último argumento dos propugnadores da reforma é que afinal ela é pequena - mexe com 600, entre as cerca de 110.000 palavras da língua portuguesa, ou apenas 0,54% do total. Se é tão pequena, volta a pergunta: para que fazê-la?
Haveria outros argumentos contra a reforma, mas nenhum tão importante quanto o esboçado acima, de que língua é como pátria, e em pátria não se mexe, ou pelo menos não se mexe toda hora. Fala-se que a reforma simplifica o idioma e assim torna mais fácil seu ensino. Engano. A língua é um bem que percorre as gerações, passando de uma à outra, e será tão mais bem transmitida quanto mais estável for, ou, pelo menos, quanto menos interferências arbitrárias sofrer. Não se mexa assim na língua. O preço disso é banalizá-la como já fizeram com a moeda, no Brasil.

Texto disponível em:

http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/artigo_28051995.shtml

segunda-feira, 26 de maio de 2008

O novo acordo ortográfico

Já faz alguns anos que ouço falar em "Acordo Ortográfico". Dizem que é para uniformizar a grafia do português no mundo, já que temos duas: a brasileira e a luso-africana.
Essa reforma, entretanto, contém algumas aberrações.
O caso mais típico é o pobre coitado do trema (¨). Pode até parecer um tanto inútil, porém tem uma importância ímpar, já que ele é quem dá forma à pronúncia de algumas palavras, como cinqüenta, lingüiça, agüentar, bangüê, etc..
Agora imagine essas palavras sem o trema, já muda a pronúncia.
Eu sou contrário ao fim do trema.
Outra mudança será o fim do acento agudo em palavras como vôo, enjôo, dêem, crêem, que se tornarão voo, enjoo, deem, creem...
Bom, ainda tem a retirada do hífen em umas palavras, e a colocação do mesmo em outras.
Anti-semita será antissemita, reeleição transformar-se-á em re-eleição.
Ah sim, terá a volta das letras k, w e y, arbitrariamente retiradas do alfabeto na reforma de 1943. Quanto a elas só tenho dúvida numa coisa: com essas letras retornando, voltaremos a escrever Paraguay, Goyás, Niteroy, Aracaty, Syria, kilômetro (ou kilómetro em Portugal), kilograma e wisigodo?
'Tá muito solto isso, falta clareza.
Diz o Prof. Pasquale: “Claro que é uma reforma política. O Brasil quer dizer que é o dono da língua”.
É muito séria essa acusação dele. Nesse sentido, faltou humildade ao Brasil e firmeza a Portugal.

Por falar em humildade, humidade em Portugal será como no Brasil: umidade; herva será erva, e por aí vai...
Todas as reformas, desde a unilateral de 1911, com os portugueses sem os brasileiros, até as outras, só serviram para mostrar uma coisa: que desde então ambos os países querem monopolizar o idioma, Portugal porque é a pátria-mãe, e o Brasil porque é o que tem mais falantes no mundo.
Se for pelo bem da Língua Portuguesa, toda reforma é válida, o que não pode é um país querer impor aquilo que lhe agradar, para contrariar os outros.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

A cultura ultramarina portuguesa

É com o nome de "O Multiluso" que inicio este blog. O Multiluso visa mostrar as realizações da cultura lusófona pelo mundo, até mesmo onde o português nem é mais falado.
E procuro demonstrar minha paixão pela "Última Flor do Lácio", copiando o poeta Olavo Bilac, esta língua portuguesa tão maltratada por quem deveria zelar pela integridade dela.
Na foto, as ruínas da catedral de São Paulo em Macau (China), última possessão ultramarina portuguesa, devolvida aos chineses em 1999.
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Fonte da foto: